Eleições na Argentina

SoB | Internacional | 14/08/2017 | 253 |



Primeiras impressões sobre a Paso (primárias eleitorais) na Argentina

Uma eleição que girou à direita

Traduzido por Rosi Santos

A primeira definição é que o resultado das eleições apontam para um resultado à direita. Cambiemos (macrismo) ganhou amplamente a eleição em todo o país; isto ocorreu, inclusive, na província de Buenos Aires, onde esperava-se que fosse derrotado pelo kirchnerismo. No entanto, ainda que o kirchnerismo consiga se diferenciar da situação, dificilmente consigará se impor, uma vez, que a performance de Cambiemos em todo o país demonstra um resultado de claro triunfo do macrismo.

Esse inesperado giro eleitoral à direita não deixa de ser compreensível. Na  verdade, coloca eleitoralmente o país na mesma situação e tendências de países de sua região. Porém, cabia a Argentina a possibilidade de ir “contra a tendencia” regional; pelo menos foi o que pareceu a votação da PASO neste domingo, alinhando o país a tendência geral, parece que foi absorvido pela dinâmica regional.

As eleições ratificam que uma grande parte da população - as classes médias, mas reacionárias, incluindo importantes setores dos trabalhadores - não se relocalizaram massivamente do giro conservador da votação de 2015.

A bronca contra o governo, que se manifestou especialmente na província de Buenos Aires nos últimos meses é um dos fenômenos mais dinâmicos da realidade, mas possivelmente não dizem respeito aos setores mais concentrados entre os trabalhadores. A juventude, o movimento de mulheres, os mais oprimidos entre os trabalhadores, setores de enorme importância votaram na esquerda, mas,  no entanto, não são esses os setores mais estruturais e concentrados.

Estes setores mais concentrados expressam em nosso país –  grosso modo – tendências semelhantes e desafios que são vistos no mundo e que, na conjuntura atual, ainda não encontraram um contrapeso suficiente (a Argentina tem elementos de contraponto que vai além das eleições, e que atende a determinações profundas na luta de classe).

A quase falência do chavismo-madurismo na Venezuela, o impacto de Temer no Brasil, são as tendências regionais que devem ser invertidas na luta de classes; lutas que vão se colocar imediatamente no país diante do pacote de medidas de ajuste que prepara o macrismo e que para enfrentá-lo devemos superar o obstáculo da burocracia sindical e a tendência de acordo com os governos que expressam tanto o kirchnerismo como a Frente Renovadora.

É neste contexto que ocorreu a votação da esquerda das duas frentes da esquerda, a FIT (Frente de Esquerda dos Trabalhadores) e Esquerda em Frente pelo socialismo (IFS). O fato é que de conjunto a eleição foi mais baixa do que o esperado. Não ocorreu uma votação histórica da esquerda, mesmo que alguns dados indicasse o contrário. Tampouco se confirmou os números exagerados que alardeou a FIT em relação a seu potencial eleitoral em vários distritos.

Neste contexto, o desafio mais importante da Esquerda em Frente pelo o Socialismo (IFS) foi na província de Buenos Aires, desafio liderada por nossa companheira Manuela Castañeira. Com uma frente nova e uma candidata jovem ascendente, como Castañeira, mesmo assim, nossa eleição se converteu em mais de 100 mil votos, um resultado de enorme importância mesmo não garantindo romper a PASO na capital, nossa candidata e campanha foram extremamente bem sucedidas; conseguindo impactar amplos setores da população trabalhadora alertando sobre os ajustes que virão de Macri e apresentando uma saída alternativa.

Apesar das dificuldades de nossa frente em Buenos Aires, a IFS obteve resultados significativos no interior, passando a PASO em vários distritos importantes, como: Neuquén, Rio Negro, La Rioja, Córdoba, La Pampa e Santa Cruz, ao total foram doze províncias que rompemos o índice prescritivo, resultado compensador apesar de não termos rompido a prescrição de 1,5% na principal zona do país, mostrando todavia um resultado valioso como total nacional de votos.

Até o momento desta nota, não temos todos os resultados, somente por isso não queremos avançar em mais definições. Mas somente agregar que o Novo Mas e a IFS fez uma enorme campanha eleitoral militante, na qual se jogou toda uma camada de jovens companheiros e companheiras que nos permite mais amadurecimento, outro ponto importante foi que garantiu uma maior inserção nacional de nosso partido, na qual a figura de nossa companheira Manoela Castañeira se instalou definitivamente entre uma das principais figuras da esquerda argentina.

Terminamos este comunicado saudando todos aqueles e aquelas que nos acompanhou com seu voto na província de Buenos Aires e em todo o país, além de todos os simpatizantes e militantes da frente em geral e de nosso partido em particular, que realizaram um imenso esforço militantes nesta campanha.
Com essa fortalecimento enfrentaremos os novos desafios da lucha de classes que estão por vir para parar a mão de Macri e seu ajuste con a mobilização!

Comitê Executivo do Novo MAS, Segunda feira 14 de agosto
de 2017, 0.30 horas.


As mais lidas