Quem somos

O Socialismo o Barbarie, como parte de uma corrente marxista internacional homônima, defende a herança teórica e política de Marx, Engels, Lenin, Trotsky e Rosa Luxemburgo,dentre outros pensadores e militantes revolucionários, e o programa histórico da Quarta Internacional.

Defendemos a construção de tendências, correntes e partidos revolucionários da classe trabalhadora, independentes do reformismo e contrários à colaboração de classes. Rechaçamos a participação em governos nacionalistas burgueses ou outras formas de colaboração de classe, pois consideramos que, apesar de seus enfrentamentos parciais com o imperialismo, não romperam com a estrutura capitalista da sociedade e nem abriram a via para o socialismo.

Da mesma forma, combatemos a política de organizações como Syriza na Grécia ou Frente de Esquerda na França, já que não defendem a autodeterminação da classe trabalhadora e o socialismo como modelo de sociedade, mas, tão somente uma gestão de “esquerda” da crise econômica e um “capitalismo com rosto humano”, o que não deixa de ser uma forma de atrasar a luta anticapitalista no contexto da crise mais importante do capitalismo desde os anos 30.

Situamos a classe operária e sua autodeterminação no centro da estratégia socialista. Em primeiro lugar, porque se trata da classe que tem em suas mãos a chave da economia capitalista e pode, portanto, pode dar o “golpe de misericórdia” neste sistema de exploração. Em segundo lugar, porque as experiências das revoluções anticapitalistas do século XX demonstraram que sem a auto-organização da classe operária, sem sua participação no poder e de seus partidos, a transição ao socialismo não é possível.

As revoluções chinesa e cubana configuraram enormes revoluções anticapitalistas que expropriaram a burguesia e resolveram parcialmente problemas democráticos, agrários e anti-imperialistas nesses países. Mas, não puderam dar lugar a verdadeiras revoluções socialistas, já que não conduziram ao poder a classe trabalhadora e, portanto, a transição ao socialismo ficou bloqueada, criando assim Estados burocráticos não operários. O balanço destas revoluções deve nos ensinar que a consciência e auto atividade da classe operária são inerentes à transição ao socialismo, e que não é um processo automático, mas, político e necessariamente consciente, por sua vez.

Neste sentido, consideramos que uma “nova” classe operária começa a surgir como sujeito social e político em todo o mundo, processo que chamamos de “recomposição operária”. Isso tem como base material a entrada no mundo do trabalho de enormes batalhões de proletários. Estes novos trabalhadores, que apresentam traços antiburocráticos e combativos, não foram influenciados pelo estalinismo ou pelos nacionalismos burgueses, correntes majoritárias em todo o pós-guerra.

Não obstante, a crise de alternativa aberta pela caída do muro de Berlim e a derrubada da URSS, não foram, todavia, superadas, e opera como um limite importante nos novos processos de luta. O papel principal das organizações revolucionárias é lutar para desenvolver o sentido de classe, socialista e revolucionário nas experiências de recomposição.

A classe trabalhadora não deve esquecer, nem deixar de lado, o restante dos explorados e oprimidos. Por isso mesmo participamos e somos parte das lutas feministas, que vivem hoje uma ascensão históricaem todo o mundo: das egípcias que lutaram na primeira linha contra a ditadura de Mubarak às latino-americanas que lutam pelo direito ao aborto e/ou contra a violência de gênero. Defendemos igualmente a luta GLBTT por todos os seus direitos, como o direito ao matrimônio, à adoção, à identidade, à não discriminação no trabalho e na sociedade.

Construímos organizações juvenis, de estudantes e de trabalhadores precarizados, uma geração em que as perspectivas de futuro lhes foram roubadas pelos capitalistas. A juventude é a chama da luta revolucionária e são as novas gerações que começam a experimentar lutas no contexto da crise capitalista mundial que colocama perspectiva de outro tipo de sociedade, sem explorados, nem oprimidos.

Defendemos o internacionalismo proletário frente ao nacionalismo que envenena os trabalhadores. Defendemos a regularização de todos os sem documentos e o direito ao voto dos estrangeiros. Combatemos à xenofobia e ao racismo.

Apoiando-se na burocratização dos processos revolucionários, as posições “antipolíticas”, “antipartido” e autonomistas que negam a utilidade do partido, privando, portanto, os movimentos de luta de toda perspectiva estratégica, estão em voga. Defendemos a necessidade de organizações políticas da classe trabalhadora, único meio de ir para além das reivindicações imediatas e implantar um modelo alternativo de sociedade que resolva o conjunto dos problemáticas. Defendemos um partido revolucionário, democrático e independente, em que prioridade de intervenção sejas as lutas operárias, juvenis e feministas.

Isto implica, também, estabelecer “relações sãs” entre os partidos operários e socialistas, os movimentos e os organismos de massas. Rechaçamos o falso dilema entre a construção de movimentos ou partidos como se fossem coisas opostas. Do que se trata, ao contrário, é de construir movimentos, sindicatos e partidos. Reivindicamos, portanto, os ensinamentos de Lenin em matéria de organização, que retomam grande atualidade no contexto da crise do capitalismo e da luta por derrubá-lo.